Sai de casa com frio, sente calor no meio do dia e volta a procurar o casaco à tarde? Veja como montar looks para Curitiba sem carregar o guarda-roupa inteiro.
Tem um tipo de indecisão que quem mora em Curitiba conhece bem: você olha pela janela, vê aquele céu meio fechado, coloca um casaco… e algumas horas depois está carregando o casaco no braço porque apareceu um sol. Mais tarde esfria de novo.
Então, quando alguém pergunta como se vestir bem em Curitiba, eu não acho que a resposta esteja em ter um guarda-roupa enorme ou comprar um monte de roupa de inverno. Para mim, a palavra mais importante é versatilidade.
O melhor look é aquele que consegue acompanhar o dia sem fazer você passar frio, morrer de calor ou carregar metade do armário na bolsa.
E isso fica muito mais fácil quando você começa a pensar nas roupas em camadas, escolhe peças que combinam entre si e presta um pouco mais de atenção nos tecidos e nos calçados.
Por que é tão difícil decidir o que vestir em Curitiba?
Curitiba tem clima subtropical e é conhecida pelas mudanças de temperatura. Segundo os dados oficiais de turismo da cidade, a temperatura média fica em torno de 13 °C no inverno e 21 °C no verão. Mas médias não contam toda a história: é comum ter manhã fria, tarde mais agradável e temperatura caindo novamente no fim do dia.
Quem quiser conhecer os dados gerais da cidade pode consultar a página oficial de Turismo de Curitiba.
Na prática, isso significa que montar um look pensando somente na temperatura do momento em que você sai de casa pode dar errado algumas horas depois.
Por isso, antes de falar de tendências ou de quais peças estão “na moda”, eu começaria por uma regra muito mais útil:
vista-se pensando na possibilidade de tirar ou acrescentar uma camada durante o dia.
1. Pense em camadas, não em uma única roupa superquente
Quando está frio, a primeira vontade pode ser pegar o maior casaco disponível e pronto. Só que esse tipo de look pode se tornar desconfortável se a temperatura subir um pouco ou se você passar bastante tempo em ambientes fechados.
Eu prefiro imaginar o look em três níveis:
- camada de base: camiseta, regata, body ou uma blusa fina;
- camada intermediária: camisa, cardigã, tricô, moletom ou suéter;
- camada externa: jaqueta, blazer, trench coat, sobretudo ou outro casaco.
Não é obrigatório usar as três sempre. A ideia é simplesmente montar o look de uma maneira que permita adaptação.
Se esquentar, você tira o casaco. Se esfriar, coloca novamente. Se o frio estiver mais intenso, uma segunda pele fina por baixo pode aquecer sem deixar o visual pesado.
O truque é fazer as camadas combinarem entre si
Tem um detalhe que faz muita diferença: tente montar o look de modo que ele continue funcionando mesmo quando você tirar uma das peças.
Se o casaco é a única coisa que deixa a produção bonita, você provavelmente vai passar o dia inteiro presa a ele.
Por exemplo:
- camiseta branca + calça jeans + cardigã + trench coat;
- camisa + calça de alfaiataria + tricô + blazer;
- vestido + meia-calça + jaqueta;
- body + jeans + camisa aberta + casaco.
Assim, se a temperatura mudar, você consegue tirar uma peça sem desmontar completamente o look.
2. Tenha uma terceira peça que realmente combine com sua rotina
Nem todo mundo precisa de um sobretudo enorme, uma jaqueta de neve ou cinco tipos de casacos.
Antes de comprar uma peça de frio, pense: onde eu realmente vou usar isso?
Para quem passa grande parte do dia em ambientes fechados, trabalha em escritório, estuda ou usa carro e transporte por aplicativo, um casaco extremamente pesado pode acabar sendo usado muito menos do que imaginava.
Já quem espera ônibus cedo, anda bastante a pé ou passa muito tempo em lugares abertos provavelmente precisa de uma camada externa mais eficiente.
Algumas terceiras peças que costumam ser fáceis de combinar:
- jaqueta jeans;
- jaqueta de couro ou similar;
- blazer;
- cardigã;
- trench coat;
- casaco de lã;
- jaqueta acolchoada para os dias realmente frios.
Você não precisa de todas. Duas ou três opções que conversem bem com as suas roupas já podem resolver muita coisa.
3. Não escolha a roupa só pela aparência: observe o tecido
Duas blusas podem parecer igualmente quentes no cabide e se comportar de formas completamente diferentes no corpo.
Por isso, vale começar a olhar a composição da roupa na etiqueta.
Lã e algumas misturas com lã costumam ajudar bastante no frio. Tricôs podem variar muito dependendo da fibra e da trama. Peças com camada corta-vento também fazem diferença em dias mais gelados.
E isso não significa que fibras sintéticas sejam automaticamente ruins ou que fibras naturais sejam sempre melhores. O importante é entender para que aquela roupa vai servir.
Essa é uma coisa que eu quero explorar cada vez mais aqui no blog: tecido muda conforto, temperatura, caimento e até a durabilidade da peça.
4. O sapato precisa sobreviver ao seu dia, não apenas combinar com o look
Tem dia em Curitiba em que você sai com o chão seco e algumas horas depois está desviando de poça.
Então, principalmente nos dias frios ou úmidos, eu daria preferência para calçados fechados e confortáveis.
Isso não significa que todo look de inverno precise de bota.
Você pode usar:
- tênis;
- mocassim;
- oxford;
- sapatilha mais fechada;
- bota de cano curto;
- coturno;
- bota de cano alto quando fizer sentido para o look.
O que eu evitaria é escolher um sapato lindo para um dia em que você sabe que vai caminhar muito e passar as próximas seis horas arrependida.
Estilo também precisa funcionar.
5. Monte uma pequena base de cores que converse entre si
Quando todas as roupas parecem combinar apenas com uma peça específica, se vestir fica muito mais difícil.
Uma maneira simples de facilitar é ter algumas cores recorrentes no guarda-roupa.
Não precisa virar uma pessoa que só usa bege, preto e branco. Você pode amar vermelho, verde, rosa, azul ou qualquer outra cor.
A ideia é simplesmente conseguir responder:
quais cores aparecem bastante nas minhas roupas e combinam facilmente umas com as outras?
Por exemplo, uma base com:
- preto;
- jeans;
- off-white;
- marrom;
- bordô.
já permite muitas combinações. E você pode acrescentar cores mais marcantes nos acessórios, tricôs, blusas ou casacos.
O objetivo não é limitar seu estilo. É diminuir aquela sensação de olhar para vinte peças e descobrir que nenhuma parece conversar com a outra.
6. Use acessórios para aquecer sem transformar todo o look
Cachecol, lenço, gorro e até uma meia mais quente podem resolver muito mais do que parecem.
E têm uma vantagem: são muito mais fáceis de guardar na bolsa quando a temperatura sobe.
Um look básico de jeans, tricô e casaco pode mudar completamente com um cachecol colorido, por exemplo.
Nos dias mais frios, esses acessórios deixam de ser apenas detalhes e começam a ter função prática.
Se você não gosta de usar muitos acessórios, escolha um. Não precisa colocar gorro, cachecol, luva e lenço ao mesmo tempo só porque é inverno.
7. Confira a previsão, mas não confie cegamente nela
Eu sempre acho válido olhar a previsão antes de sair. Principalmente se você vai passar muitas horas fora.
Mas previsão é orientação, não contrato.
Se a temperatura máxima prevista é agradável, observe também a mínima, o horário em que você vai voltar para casa e a possibilidade de chuva.
Uma máxima de 22 °C não ajuda muito se você sair às sete da manhã com 9 °C.
Da mesma maneira, não adianta montar o look apenas para a manhã fria se você vai passar a tarde inteira dentro de um ambiente aquecido.
Pensar no dia inteiro evita muita escolha errada.
8. Tenha alguns looks de segurança
Sabe aquele dia em que você abre o guarda-roupa e absolutamente nada parece funcionar?
Ter duas ou três combinações prontas na cabeça resolve.
Por exemplo:
Look de segurança 1: casual
Jeans + camiseta + tricô + tênis + casaco.
Look de segurança 2: um pouco mais arrumado
Calça de alfaiataria + blusa + blazer ou trench coat + mocassim.
Look de segurança 3: feminino sem complicação
Vestido midi + jaqueta + meia-calça quando necessário + bota.
Não são fórmulas obrigatórias. São apenas pontos de partida.
O mais interessante é descobrir quais são os seus três looks que funcionam quando você está atrasada, cansada ou simplesmente sem criatividade.
9. Antes de comprar mais roupa de frio, experimente novas combinações
Essa talvez seja a dica que mais conversa com a forma como eu tenho pensado moda ultimamente.
Antes de concluir que você “não tem roupa para o frio”, olhe para o que já existe no seu guarda-roupa.
Uma camisa que você só usa sozinha pode funcionar aberta sobre uma camiseta. Um vestido de meia-estação pode ganhar meia-calça e jaqueta. Um tricô esquecido pode funcionar com uma saia que você normalmente usa no verão.
Tente escolher cinco peças que você já tem e montar novas combinações.
Você pode se surpreender.
O que eu realmente considero essencial para o frio de Curitiba?
Se eu tivesse que montar uma lista pequena, sem transformar isso numa desculpa para comprar um guarda-roupa novo, eu começaria por:
- uma boa camada de base;
- um tricô ou cardigã versátil;
- um casaco que funcione com a maioria das suas roupas;
- calça confortável;
- um calçado fechado que aguente bastante uso;
- um acessório para os dias realmente frios;
- uma bolsa ou mochila em que você consiga guardar uma camada quando esquentar.
O restante depende muito mais do seu estilo e da sua rotina do que de uma lista universal de peças obrigatórias.
Se vestir bem em Curitiba não precisa ser complicado
No fim das contas, eu acho que se vestir bem em Curitiba tem menos a ver com possuir o casaco perfeito e mais com aprender a adaptar as roupas ao longo do dia.
Camadas, peças versáteis, calçados confortáveis e um pouco de planejamento resolvem grande parte do problema.
E você não precisa abrir mão da sua personalidade para se proteger do frio.
Pelo contrário: quando a parte prática está resolvida, fica muito mais fácil brincar com cores, proporções, acessórios e combinações que realmente tenham a sua cara.
Então, na próxima vez que olhar a previsão e pensar “eu não faço ideia do que vestir”, comece pelo básico: o que eu consigo colocar agora e tirar depois sem estragar o look?
Às vezes essa pergunta resolve mais do que comprar outra roupa.
Veja também
Se você sente que tem muitas roupas, mas acaba repetindo sempre as mesmas combinações, este artigo pode ser um ótimo próximo passo:
Veja também: como organizar o guarda-roupa e montar mais looks com o que você já tem.