A NYFW Primavera/Verão 2027 mostrou uma moda mais expressiva, com referências retrô, cores, western e novas formas de styling. Veja como essas tendências podem chegar ao guarda-roupa real.
A New York Fashion Week de Primavera/Verão 2027 terminou deixando mais do que uma lista de roupas que podem aparecer nas próximas estações. As passarelas de Nova York mostraram uma moda interessada novamente em cor, mistura, referências históricas, acessórios marcantes e, principalmente, na possibilidade de se divertir com a maneira de vestir.
Mas acompanhar uma semana de moda não precisa significar tentar reproduzir exatamente aquilo que aparece na passarela. Na prática, o mais interessante é observar quais ideias começam a se repetir, entender por que elas estão aparecendo agora e descobrir quais delas podem conversar com o nosso próprio estilo.
A temporada oficial aconteceu entre 10 e 15 de setembro de 2026, reunindo cerca de 70 desfiles e apresentações no calendário preliminar da CFDA, além de outras coleções apresentadas por agendamento e em formato digital. A semana começou com a estreia de Henry Zankov como diretor artístico da Diane von Furstenberg e terminou com Thom Browne.
Para quem quiser conhecer a programação oficial da temporada, vale consultar o calendário da New York Fashion Week divulgado pela CFDA.
Uma temporada com mais liberdade para se vestir
Entre os movimentos que chamaram atenção nas coleções de Primavera/Verão 2027 está uma vontade maior de experimentar. Depois de temporadas em que minimalismo, neutralidade e visuais muito controlados ocuparam bastante espaço, Nova York apresentou propostas abertas à mistura, ao movimento e a detalhes mais expressivos.
A ELLE resumiu esse espírito recorrendo a uma frase de Tory Burch: “joy of getting dressed”, ou seja, a alegria de se vestir. A expressão ajuda a traduzir o clima de diversas coleções: cores mais intensas, franjas, acessórios reinterpretados, proporções menos óbvias e referências retrô aparecendo de forma contemporânea.
Isso não significa que todo mundo passará a usar roupas maximalistas ou combinações extremamente chamativas. O que aparece na passarela costuma chegar ao cotidiano de maneira muito mais sutil. Uma tendência pode surgir apenas em uma cor, uma modelagem, um acessório ou em uma nova maneira de combinar peças que já fazem parte do guarda-roupa.
Mais cor e mistura de estampas
Uma das direções vistas em Nova York foi a presença de estampas e combinações de cores menos previsíveis. Algumas marcas exploraram sobreposições de padrões, contrastes e elementos gráficos que deixaram os looks mais expressivos.
Na vida real, essa ideia não precisa significar usar várias estampas de uma vez. Uma pessoa pode começar combinando uma peça estampada com um acessório colorido, misturando duas cores que normalmente não usaria juntas ou acrescentando um único elemento mais marcante a uma base neutra.
É justamente nesse processo de adaptação que uma tendência começa a deixar de ser apenas uma imagem de passarela e passa a participar da forma como as pessoas realmente se vestem.
Os anos 1960 voltam como referência
Outra influência bastante perceptível na temporada veio dos anos 1960. Minicomprimentos, silhuetas mais retas, blocos de cores fortes e referências à estética mod apareceram em diferentes coleções.
Michael Kors, Lii, Carolina Herrera e Zankov estiveram entre os nomes associados a essa retomada. Mas, como costuma acontecer na moda, não se trata de reproduzir uma década exatamente como ela foi.
A moda trabalha constantemente com memória. Uma forma, uma cor ou uma proporção de outra época pode reaparecer décadas depois e ganhar um significado completamente diferente quando é combinada com materiais, styling e comportamentos atuais.
Como usar referências retrô sem parecer fantasiada
Para trazer uma referência dos anos 1960 para o cotidiano, não é necessário montar um look inteiro inspirado na década.
Um vestido de corte mais reto, uma minissaia simples, uma combinação gráfica de cores ou um acessório com aparência retrô já podem transmitir essa influência.
Esse é um princípio que funciona para praticamente qualquer tendência: em vez de reproduzir o conjunto inteiro, vale escolher o elemento que realmente conversa com você.
Acessórios também mudam a maneira como usamos as roupas
As tendências não aparecem apenas em peças novas. Muitas vezes, o que muda é a maneira de usar aquilo que já conhecemos.
Na temporada Primavera/Verão 2027, lenços, faixas e outros elementos amarrados à cintura chamaram atenção. O chamado scarf belt, por exemplo, apareceu como uma alternativa mais descontraída ao cinto tradicional, mostrando como um acessório conhecido pode ganhar uma função diferente no styling.
Esse tipo de tendência é particularmente interessante para quem deseja experimentar moda sem transformar cada novidade em uma compra.
Um lenço que já existe no guarda-roupa pode ganhar outro uso: na cintura, preso à bolsa ou associado a uma peça básica. Nesse caso, a tendência está menos no objeto e mais na maneira de utilizá-lo.
Franjas e movimento ganham espaço
As franjas também apareceram de maneira recorrente em Nova York, presentes em vestidos, tops, bolsas e outras peças. O interesse por esse acabamento tem relação direta com movimento: uma peça muda visualmente quando a pessoa caminha e o material reage ao corpo.
No cotidiano, não é necessário escolher uma roupa inteiramente coberta por franjas para incorporar essa ideia. Um detalhe em uma bolsa, uma saia ou uma peça de festa já pode trazer essa referência.
Esse é outro exemplo de como elementos apresentados de maneira marcante nas passarelas podem chegar às ruas em proporções muito menores.
O western continua aparecendo, mas de novas maneiras
A influência western também continua presente no repertório da moda e apareceu tanto nas coleções quanto no street style de Nova York. Botas, cintos com fivelas marcantes, couro, jeans e outras referências associadas ao oeste americano foram combinados a peças urbanas e sofisticadas.
Um exemplo especialmente interessante veio de Sabyasachi Mukherjee, que voltou a apresentar uma coleção em Nova York depois de 20 anos. O estilista combinou elementos reconhecíveis do western com bordados, tecidos e técnicas ligados ao seu repertório indiano.
Ao explicar essa mistura, Sabyasachi resumiu: “It's a lot of Western, but there's a lot of influence from the East.” A coleção mostra como uma referência conhecida pode ganhar outra leitura quando atravessa culturas e técnicas diferentes. Quem quiser conhecer melhor esse trabalho pode consultar a cobertura da coleção de Sabyasachi na Vogue.
Como trazer o western para o dia a dia
No cotidiano, a influência western pode aparecer em apenas um detalhe.
Um cinto com fivela mais marcante pode acompanhar jeans e camisa branca. Uma bota de inspiração western pode entrar em um look urbano. Uma jaqueta de camurça pode ser combinada com alfaiataria.
Não é necessário montar uma produção temática. O objetivo é incorporar uma referência de maneira compatível com o próprio estilo.
Alfaiataria e conforto estão cada vez mais próximos
Outro movimento interessante é a diminuição das fronteiras entre peças tradicionalmente formais, esportivas e casuais.
A designer Andrea Lieberman, da A.L.C., trabalhou justamente com formas esportivas construídas em materiais mais sofisticados. Ao explicar a proposta da coleção, resumiu sua visão dizendo: “Everything should feel as easy as a T-shirt.”
A frase ajuda a explicar uma mudança importante na maneira como muitas pessoas desejam se vestir: estar arrumada sem necessariamente estar rígida.
Na prática, isso aparece em combinações como calça de alfaiataria com camiseta, blazer com jeans, camisa ampla com peças esportivas ou uma saia mais sofisticada acompanhada de elementos casuais.
Não são necessariamente combinações inéditas, mas a frequência com que esses contrastes reaparecem ajuda a incorporá-los cada vez mais ao nosso repertório visual.
Street style também participa da criação das tendências
Quando pensamos em semana de moda, é comum imaginar apenas aquilo que acontece dentro dos desfiles. Mas o que ocorre nas ruas durante esses eventos também se tornou uma parte importante da conversa.
Na NYFW desta temporada, o street style refletiu a transição entre verão e outono de Nova York. Houve sobreposições de peças leves com jaquetas, referências western, estampas e cores misturadas, alfaiataria descontraída e acessórios utilizados para personalizar produções.
Isso mostra que a moda não funciona apenas de cima para baixo, como se designers criassem tendências e o público simplesmente as copiasse.
As ruas também criam referências. Pessoas reinterpretam peças, misturam influências e desenvolvem maneiras de vestir que podem posteriormente chamar a atenção de marcas, estilistas e veículos especializados.
Como uma tendência sai da passarela e chega ao guarda-roupa?
Não existe um único caminho para uma tendência surgir.
Algumas ganham força nas coleções dos designers. Outras começam nas ruas, em subculturas, na música, no cinema, nas redes sociais ou em mudanças maiores de comportamento.
Em muitos casos, vários desses movimentos acontecem ao mesmo tempo e se influenciam.
As passarelas funcionam como laboratório
Nas semanas de moda, designers conseguem trabalhar ideias de maneira mais intensa. Proporções podem ser exageradas, combinações podem ser mais ousadas e determinados conceitos aparecem em uma forma que dificilmente será reproduzida exatamente da mesma maneira no cotidiano.
É justamente por isso que podemos enxergar a passarela como uma espécie de laboratório.
Aquilo que aparece de forma extrema pode, meses depois, surgir em versões muito mais simples: uma cor recorrente nas lojas, uma nova modelagem de calça, um acessório que começa a aparecer com frequência ou uma maneira diferente de usar uma peça básica.
As ruas também influenciam as passarelas
O caminho contrário acontece o tempo todo.
Estilos desenvolvidos por jovens, comunidades específicas, cenas musicais e movimentos culturais podem chamar a atenção da indústria e acabar reinterpretados dentro das coleções.
Por isso, quando uma estética se torna muito presente nas redes sociais ou nas ruas, não significa necessariamente que ela tenha começado em uma grande marca.
Redes sociais aceleram o processo
Hoje, a circulação de imagens faz com que tendências se espalhem com uma velocidade muito maior.
Um look apresentado em Nova York pode aparecer quase imediatamente em vídeos, comentários, referências de styling e conteúdos produzidos em diferentes países.
Ao mesmo tempo, essa velocidade também favorece as chamadas microtendências, que podem ganhar enorme visibilidade em pouco tempo e desaparecer com a mesma rapidez.
Por isso, acompanhar tendências exige cada vez mais senso crítico.
Precisamos seguir todas as tendências?
Não.
Conhecer tendências não significa obedecer a elas. Elas podem funcionar como uma biblioteca de referências que amplia nossas possibilidades de estilo.
Uma pessoa pode se interessar pelas novas combinações de cores, mas ignorar completamente a influência western. Outra pode gostar das referências dos anos 1960, mas preferir continuar usando uma paleta neutra.
Estilo pessoal também não significa ficar isolada das tendências. Nosso gosto é influenciado pelo período em que vivemos, pelas imagens que vemos e pelas referências culturais que nos cercam.
As proporções que começam a parecer interessantes, as cores que chamam nossa atenção e até aquilo que consideramos moderno fazem parte de um contexto maior.
A diferença está em aprender a identificar o que realmente faz sentido para a nossa rotina e para a maneira como queremos nos apresentar.
Como experimentar tendências sem reconstruir o guarda-roupa
Antes de comprar uma peça nova porque determinada tendência apareceu repetidamente nas passarelas ou nas redes sociais, vale olhar primeiro para aquilo que você já possui.
Se a tendência é usar cores de maneira mais expressiva, experimente combinações diferentes com suas próprias peças. Se os lenços voltaram a chamar atenção, procure aquele que está guardado há meses. Se a inspiração western lhe interessa, talvez um cinto ou uma bota que você já tenha seja suficiente.
Uma tendência pode ser uma oportunidade para enxergar o próprio guarda-roupa de outra maneira.
E talvez esse seja um dos aspectos mais interessantes de acompanhar semanas de moda: descobrir ideias, referências e novas possibilidades sem transformar cada novidade em uma obrigação de consumo.
O que a NYFW 2027 pode nos ensinar sobre estilo
Mais do que prever exatamente quais roupas estarão nas lojas nos próximos meses, a NYFW Primavera/Verão 2027 apresentou pistas sobre uma moda menos interessada em regras rígidas.
As referências aos anos 1960, as estampas, as franjas, os acessórios usados de novas formas e a mistura entre peças sofisticadas e confortáveis mostram uma abertura maior para experimentação.
Algumas dessas propostas poderão se repetir nas próximas semanas de moda em Londres, Milão e Paris; outras talvez permaneçam mais específicas ao contexto nova-iorquino.
É justamente a repetição de ideias entre diferentes cidades, marcas, ruas, redes sociais e posteriormente o varejo que ajuda a perceber quando determinado movimento começa realmente a ganhar força.
Por isso, talvez a pergunta mais interessante ao acompanhar uma temporada não seja apenas “o que está na moda?”.
O que, entre todas essas ideias, realmente combina comigo e com a vida que eu levo?
É nessa seleção que tendência deixa de ser apenas tendência e começa a participar do estilo pessoal.
Veja mais
Antes de comprar peças novas para acompanhar uma tendência, vale descobrir quantas possibilidades já existem dentro do seu próprio guarda-roupa.
Veja também: como organizar seu guarda-roupa e montar looks com o que você já tem.